O IMPACTO DA INFRAESTRUTURA LOGÍSTICA NA FORMAÇÃO DE PREÇOS: UMA ANÁLISE ESTRATÉGICA DO "CUSTO BRASIL"
- Eu sou o Lincoln Oliveira
- há 7 dias
- 2 min de leitura
Por: Lincoln Ferreira de Oliveira, consultor farmacêutico, Multi Especialista em Assuntos Regulatórios.
A infraestrutura de transportes transcende a mera movimentação de cargas; ela é a espinha dorsal da competitividade econômica e o vetor que define o sucesso ou o fracasso de qualquer operação comercial. Ao decompor os dados apresentados na reportagem sobre os modais brasileiros (LOPES, 2020), fica evidente que a precariedade estrutural atua como um imposto invisível, drenando a eficiência da cadeia de suprimentos. Quando o custo do transporte passa a representar 20% do preço final dos produtos – e o frete logístico chega a triplicar em menos de uma década, considerando isso, estamos lidando com uma ineficiência sistêmica que corrói severamente a rentabilidade corporativa e onera o consumidor final.
A análise técnica do caso da Ferrovia Norte-Sul expõe a raiz metodológica do problema: a execução de obras complexas sem projetos executivos rigorosos prévios. Esse erro de planejamento resulta não apenas em décadas de atraso, mas na destruição deliberada de capital através de falhas técnicas inaceitáveis, como a aquisição de trilhos com especificações de dureza inadequadas para suportar a carga. No mercado de alta performance, a improvisação é a antessala do fracasso. Paralelamente, o estrangulamento dos portos – ilustrado pelas filas de navios em Santos gerando custos diários de 60 mil reais em demurrage – neutraliza nossa competitividade. O cancelamento da compra de milhões de toneladas de soja pela China atesta empiricamente que a excelência produtiva "da porteira para dentro" torna-se inútil se a engenharia logística falha no escoamento.
Diante deste cenário, é imperativo forçar uma reflexão crítica: até quando a miopia estratégica na gestão da infraestrutura continuará a devorar margens de lucro que deveriam ser alocadas em inovação? A dependência crônica e estrutural do modal rodoviário para longas distâncias cria uma assimetria letal para a redução do Custo Total de Propriedade (TCO). A literatura especializada alerta que o reequilíbrio da matriz de transportes, com a migração forçada para modais de alta capacidade e menor custo por tonelada-quilômetro (TKU), como o ferroviário, é a única diretriz capaz de promover otimização tarifária real (BOWERSOX et al., 2014; CNI, 2018).
Portanto, o impacto de uma infraestrutura deficitária no preço dos produtos é absoluto e define a inviabilidade de negócios em escala global. Soluções rasas ou paliativas devem ser sumariamente descartadas. O combate a este ônus exige planejamento blindado contra interferências, pautado por responsabilidade extrema e metodologias de execução impecáveis. Sem uma malha logística eficiente, o mercado continuará a precificar e a pagar pela própria ineficiência.
REFERÊNCIAS
BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J.; COOPER, M. Bixby; BOWERSOX, John C. Gestão Logística de Cadeias de Suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). A infraestrutura na visão da indústria. Brasília: CNI, 2018.
LOPES, Edesio. Reportagem do Fantástico sobre Infraestrutura de Transportes - Ferrovias e Portos. YouTube, 20 maio 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XFzfKHN0CBI. Acesso em: 2 maio 2026.


Comentários